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Notícias de Mercado

Com reaquecimento da demanda, açúcar avança em NY nesta terça-feira

O reaquecimento da demanda por açúcar foi responsável pela alta das cotações do produto ontem na bolsa de Nova York. Os papéis com vencimento em março encerraram o pregão a 24,70 centavos de dólar a libra-peso, alta de 42 pontos. De acordo com dados do Rabobank citados pela Bloomberg, alguns países que estavam contingenciando suas importações, como Iraque, Egito e Tunísia, voltaram a fazer aquisições do produto, depois que os preços recuaram 18% em Nova York (açúcar bruto) e 17% na bolsa de Londres (açúcar branco). "A demanda por açúcar está ficando a cada dia mais forte, especialmente pelo produto da União Europeia", disse Naim Beydoun, da corretora Rolle, da Suíça. No mercado interno, o indicador Cepea/Esalq para o cristal fechou em baixa de 1,08%, a R$ 63,01 a saca.

 

Moagem de cana continua 10,18% inferior à safra passada na região Centro-Sul

A moagem de cana-de-açúcar pelas unidades produtoras da região Centro-Sul do Brasil atingiu 36,89 milhões de toneladas na primeira quinzena de setembro, um recuo de 1,63% quando comparada a igual período de 2010, e de 9,03% relativamente aos últimos quinze dias de agosto de 2011. No acumulado desde o início desta safra, o volume processado somou 375,14 milhões de toneladas, ante 417,65 milhões de toneladas registradas no mesmo período do último ano.

O diretor técnico da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (UNICA), Antonio de Padua Rodrigues, destaca que "embora a safra atual comparativamente à anterior permaneça deficitária em 10,18%, ou aproximadamente 40 milhões de toneladas, a produção de etanol anidro continua crescente." Esta totalizou 663,03 milhões de litros na primeira quinzena de setembro, aumento de 14,35% frente aos 579,81 milhões de litros observados em igual período do ano anterior. Nessa quinzena, a produção de açúcar também registrou alta: 2,75 milhões de toneladas produzidas, ante 2,65 milhões de toneladas no mesmo período da safra 2010/2011.

Apesar deste aumento na produção quinzenal de açúcar, Rodrigues atenta que "o etanol anidro ainda figura como único produto desta safra, comparando-se com o etanol hidratado e o açúcar, que registrou um aumento produtivo em relação ao último ano". De fato, no acumulado de abril até 16 de setembro, a produção de etanol anidro atingiu 5,90 bilhões de litros, contra 5,07 bilhões de litros em 2010, resultando em um crescimento de 16,37%. Já a produção acumulada de açúcar somou 23,13 milhões de toneladas desde o início da atual safra, declínio de 8,01% comparativamente as 25,14 milhões de toneladas produzidas no ano anterior.

A produção de etanol hidratado alcançou 935,08 milhões de litros nos primeiros quinze dias de setembro. No acumulado desde o início de abril, o volume produzido foi de 9,47 bilhões de litros, forte retração ante os 13,75 bilhões de litros obtidos em igual período da safra 2010/2011.

A UNICA, o Centro de Tecnologia Canavieira (CTC) e os demais sindicatos e associações de produtores continuarão monitorando a produção e as condições do canavial até o final da safra. "Vamos monitorar de perto as condições do canavial até o fim de setembro e, caso seja necessário, faremos uma nova revisão de safra," afirma Rodrigues.

De acordo com o diretor técnico da UNICA, "as estatísticas acumuladas da safra 2011/2012 indicam que a moagem e as produções de etanol e de açúcar seguem o ritmo esperado, dado o cenário atual de baixa produtividade agrícola. Especialmente a produção de etanol anidro continua a ser priorizada, apesar da já anunciada redução do nível de mistura do produto à gasolina, a partir de outubro."



Qualidade da matéria-prima e mix de produção

Na primeira quinzena de setembro, a quantidade de Açúcares Totais Recuperáveis (ATR) por tonelada de cana-de-açúcar atingiu 152,03 kg, contra 159,77 kg obtidos no mesmo período na safra 2010/2011. No acumulado desde o início da safra, a concentração de ATR diminuiu 3,63% em relação a igual período de 2010, totalizando 134,51 kg por tonelada de matéria-prima.

Em relação ao mix de produção, nos primeiros quinze dias de setembro, 51,38% da cana-de-açúcar disponível direcionaram-se à fabricação de açúcar. Porém, é importante destacar que, apesar do percentual de matéria-prima destinada à produção de açúcar ter aumentado em 6,27% desde o início desta safra, o mix de produção segue alcooleiro, totalizando 51,90% no acumulado de abril até 16 de setembro.



Vendas de etanol

As vendas de etanol pelas unidades produtoras da região Centro-Sul, acumuladas de abril até 16 de setembro, somaram 10,06 bilhões de litros - queda de 17,07% comparativamente ao mesmo período da safra passada. Do volume total, 9,15 bilhões de litros destinaram-se ao mercado doméstico, 1,91 bilhão de litros inferior ao observado na safra 2010/2011.

A retração do volume comercializado internamente deve-se ao recuo das vendas de etanol hidratado. Na primeira quinzena de setembro foram vendidos 539,17 milhões de litros do produto, volume 22,40% inferior ao observado na quinzena anterior, e 37,74% abaixo do mesmo período da safra passada. Desde o início da safra foram comercializados 6,35 bilhões de litros, queda de 28,12% em relação à safra anterior.

As vendas de etanol anidro continuam em alta. Nos primeiros 15 dias de setembro foram comercializados 325,41 milhões de litros, aumento de 9,76% em relação à safra anterior. Desse total, foram vendidos no mercado interno 316,28 milhões de litros, 12,46% acima do total vendido na primeira quinzena de setembro do ano passado. No acumulado da safra, o volume comercializado internamente alcançou 3,48 bilhões de litros, alta de 15,93% em relação a safra 2010/2011.

Fonte: UNICA Noticia 4

 

Mudança na estrutura do MAPA pode prejudicar setor sucroenergético

O setor sugroenergético analisa com ressalva as mudanças internas que estão ocorrendo na estrutura do Ministério de Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa). Dentre as alterações em curso, pode ser extinta a atual Secretaria de Produção e Agroenergia - responsável pela cana de açúcar e pelo café. Na avaliação da União Nordestina dos Produtores de Cana (Unida), a iniciativa desprestigia o segundo maior exportador nacional de produtos agropecuários, bem como vai em direção contrária à política de incentivo à produção da matéria-prima do etanol.

De acordo com o presidente da Unida, Alexandre Andrade, os produtos oriundos da cana só ficam atrás dos derivados da soja. No ano passado, segundo informações da Secretaria de Relações Internacionais do Agronegócio, foram exportados cerca de R$ 13,7 bilhões em itens do complexo sucroenergético. "A cana é responsável por 18% da participação financeira dos produtos agrícola e pecuária exportados no Brasil", diz, ressaltando que não entende o porquê de extinguir uma secretaria que administra tão bem a produção da cultura no País.

Outro ponto de questionamento do setor sobre a possível extinção da Secretaria está relacionado à política nacional de incentivo da cultura da cana que é responsável pela produção de etanol. "O governo federal implementou várias políticas públicas para estimular e ampliar a produção do biocombustível, portanto, acredito que todas as ações do governo, deveriam caminhar na mesma direção", defende, exemplifica a recente publicação no Diário Oficial da União, da lei que regulamenta as atividades econômicas da indústria de biocombustível.

A preocupação dos representantes do setor sucroenergético com relação à extinção da Secretaria de Produção e Agroenergia começou a partir da declaração do próprio ministro do Mapa, Mendes Ribeiro, à imprensa. "Ele, que após assumir recentemente a pasta, revelou que planeja realizar uma grande mudança na estrutura do Ministério. "Tememos que esta reformulação atrapalhe o desenvolvimento atual e de futuro do segmento da cana de açúcar no Brasil", conta.Fonte: AI Unida

 

Etanol: Demanda reduz e oferta pressiona cotações

Os valores dos etanóis anidro e hidratado recuaram no mercado paulista na semana passada, segundo levantamentos do Cepea. Entre 19 e 23 de setembro, o Indicador CEPEA/ESALQ do hidratado foi de R$ 1,1875/litro (sem impostos), recuo de 2,02%. No caso do anidro, o Indicador CEPEA/ESALQ caiu 0,55%, indo para R$ 1,3760/litro (sem impostos). Do lado da oferta, algumas usinas paulistas aumentaram as vendas para cobrir as despesas de final de mês. Quanto às distribuidoras, nota-se menor interesse de compras de hidratado em função da perda de competitividade desse combustível em comparação à gasolina C em praticamente todos os estados brasileiros, segundo a ANP. Em relação ao anidro, conforme pesquisadores do Cepea, a redução dos negócios pode estar atrelada à mudança no percentual da mistura deste tipo de etanol na gasolina a partir de 1º de outubro. Devido à mudança, espera-se que parte da cana destinada à produção de anidro seja alocada para a de hidratado.Fonte: Cepea

 

Agroenergia: Incertezas desestimulam novas usinas

Após a onda de investimentos sucroalcooleiros da década passada, frustrada pela crise mundial a partir de 2008, pairam incertezas sobre o fôlego do novo ciclo de crescimento do setor. Neste ano, os grandes players anunciaram aportes de mais de R$ 4,5 bilhões, mas a maior parte desse montante é para ampliar usinas já existentes. Estas necessitam de menos capital por tonelada de capacidade instalada do que usinas novas, cuja implantação ainda esbarra em custos altos de etanol, margens apertadas e políticas públicas ainda turvas.

Mesmo entre os grandes grupos ainda é baixo o interesse na construção de unidades a partir do zero. A instituição financeira que mais vem financiando o setor nos últimos anos, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), tem hoje em carteira apenas dois projetos enquadrados para construção de usinas novas. Outros dois estão em perspectiva de serem enquadrados.

A maior parte do montante do anunciado este ano será aplicado pela multinacional americana Bunge. Serão US$ 2,5 bilhões entre 2012 e 2016 para elevar a capacidade de moagem de suas oito usinas no país, de 21 milhões para 30 milhões de toneladas por safra. A Nova Fronteira Bioenergia (Petrobras e São Martinho) informou também aporte de R$ 520,7 milhões para elevar de 3 milhões para 8 milhões de toneladas a capacidade da usina Boa Vista, em Goiás.

Sem informar valores, a BP (ex-British Petroleum) anunciou este mês a expansão da capacidade de suas usinas já existentes. Esse investimento não está incluído nos R$ 4,5 bilhões. A petroleira também garantiu que construirá outras três unidades até 2020, apesar de ainda não ter mencionado quanto aplicará nos chamados "greenfields". Cargill e o grupo USJ também anunciaram ampliação nas usinas de Goiás, sem, porém, informar recursos.

A maior empresa do segmento, a Raízen (Cosan / Shell) promete anunciar nos próximos meses como vai elevar de 60 milhões para 100 milhões de toneladas sua capacidade de moagem de cana. Mas, por enquanto, também toca seu projeto de ampliação das unidades já existentes.

Enquanto os investimentos ainda avançam em ritmos de "recuperação", multiplicam-se as projeções sobre a necessidade de expansão nas próximas décadas para atender à demanda. Uma das consultorias internacionais mais importantes do setor, a Czarnikow Group projetou que até 2030 o Brasil precisará, em um cenário conservador, de investimentos da ordem US$ 338 bilhões para atingir processamento de cana de 1,4 bilhão de toneladas - atualmente são 600 milhões de toneladas.

Em um horizonte mais curto, de dez anos, a União da Indústria da Cana-de-Açúcar (Unica) prevê ser necessário investir US$ 80 bilhões na construção de mais de uma centena de usinas no país, que juntas agregariam mais 400 milhões de toneladas à capacidade atual.

Mas o que será possível realizar e a que tempo, ainda são questões sem resposta. Marcos Jank, presidente da Unica, volta a bater na tecla do preço estável da gasolina no Brasil, que limita a remuneração aos produtores de etanol. Se for resolvida essa questão, diz Jank, um novo ciclo de crescimento tem grandes chances de deslanchar. "Há vigor financeiro. Em cinco anos o país construiu mais de 100 usinas", lembra Jank.

Ele se refere ao período entre 2005 e 2010 quando o Centro-Sul recebeu cerca de US$ 50 bilhões (investimentos industriais) para construção de 112 indústrias de açúcar e etanol. Na época, a capacidade fabril de moagem dobrou para 600 milhões de toneladas.

Nesse mesmo intervalo, entre 2005 e 2010, só o BNDES participou com desembolso de R$ 27,1 bilhões ao setor. Nos nove meses deste ano (até 19 de setembro), R$ 3,88 bilhões foram liberados para projetos sucroalcooleiros, 50% do registrado em todos os 12 meses de 2010 (R$ 7,5 bilhões).

É natural que neste momento os grupos busquem otimizar o canavial e a indústria já existentes antes de partir para novos projetos, avalia Carlos Eduardo Cavalcanti, chefe do Departamento de Biocombustíveis do BNDES.

A instituição está confiante de que a "musculatura" do segmento para investir está mais forte. "Quando começou o boom, a partir de 2005, o setor não tinha grandes grupos como Petrobras, BP, Cargill e Bunge, e ainda assim investiu muito. Agora, será possível fazer mais", diz Cavalcanti, referindo-se ao perfil de dívida mais estruturado dessas companhias.

Mas mesmo para elas, o avanço dos custos de produção de etanol segue pressionando margens e o ânimo para investir em usinas novas. Segundo a Czarnikow Group, o custo operacional do hidratado, descontados impostos, foi de R$ 0,43 por litro na safra 2000/01, metade dos R$ 0,89 do ciclo 2010/11. Para a safra em curso, a 2011/12, esse valor está em R$ 0,95 por litro. "Como os preços do etanol têm limites para subir [gasolina], o custo alto significa um hidratado cada vez menos competitivo", diz Tiago Medeiros, diretor de finanças corporativas da Czarnikow.Fonte: Valor Econômico